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O Que as Pesquisas Mais Recentes Revelam sobre Criar Filhos no Mundo Atual

O Que as Pesquisas Mais Recentes Revelam sobre Criar Filhos no Mundo Atual

A parentalidade nunca foi uma tarefa simples — e no mundo moderno, cheio de estímulos digitais, mudanças sociais aceleradas e pressões constantes, ela pode parecer ainda mais desafiadora. Mas há boas notícias: a ciência tem muito a contribuir para apoiar pais e mães em suas decisões cotidianas.

A psicóloga e pesquisadora Jacqueline Nesi, autora da newsletter Technosapiens, tem se dedicado a traduzir o que há de mais atual na ciência do desenvolvimento infantil e adolescente em práticas acessíveis para pais, mães e cuidadores. Segundo ela, criar filhos é um equilíbrio entre pesquisa, experiência pessoal e a individualidade de cada criança.

A Fórmula de Ouro: Afeição + Estrutura

No centro da abordagem de Nesi está a parentalidade autoritativa — modelo amplamente respaldado pela ciência — que combina dois ingredientes essenciais: altos níveis de afeição e de estrutura. Em suas palavras, “praticar altos níveis desses dois elementos, e encontrar o equilíbrio entre eles, é, de certa forma, todo o negócio da parentalidade”.

A afeição se expressa por meio do amor, apoio emocional, brincadeiras, abraços e palavras de carinho. Já a estrutura está ligada à criação de limites claros, regras consistentes e expectativas previsíveis. Para Nesi, confiar apenas na intuição pode ser arriscado — por isso, o suporte das evidências científicas é fundamental.

O Que a Ciência Diz Sobre a Adolescência

A adolescência é uma fase de intensas transformações cerebrais e emocionais. Entender o que os estudos apontam pode ajudar os pais a se conectarem melhor com seus filhos nesse período. Nesi destaca seis áreas-chave:

1. Exploração e Risco Saudável

O cérebro adolescente busca novidades — e isso não é, necessariamente, algo ruim. Assumir riscos controlados, como experimentar um novo esporte ou projeto, favorece o aprendizado e a autoconfiança.

2. Significado e Propósito

Contribuições em casa, na escola ou na comunidade ajudam os jovens a sentirem que suas vidas têm valor e propósito.

3. Regulação Emocional

Adolescentes sentem tudo intensamente. Ensinar estratégias como respiração consciente, escuta de música ou autocuidado é crucial. Modelar essas habilidades como pais também faz toda a diferença.

4. Apoio de Adultos Confiáveis

Mesmo que pareçam autossuficientes, adolescentes precisam de pais, professores, mentores e treinadores que ofereçam amor, limites e presença constante.

5. Identidade e Valores

A busca por identidade envolve experimentar e definir metas pessoais. O papel dos pais é apoiar essa jornada com abertura e respeito.

6. Respeito e Status Social

Adolescentes valorizam profundamente como são vistos pelos outros. É importante oferecer formas saudáveis para que eles conquistem respeito e reconhecimento, validando suas opiniões e talentos.

Mídias Sociais: Vilã ou Ferramenta?

Sobre o impacto das redes sociais, Nesi adota uma abordagem equilibrada. Embora acredite que há uma forte correlação entre o uso excessivo e a crise de saúde mental entre adolescentes (estima-se que em 75% dos casos), ela ressalta que o problema é multifatorial.

Dois grandes riscos são apontados:

  • Uso excessivo, que prejudica sono, atividade física e interações reais.
  • Experiências negativas, como bullying digital, comparação constante ou obsessão por curtidas.

Por outro lado, as redes também oferecem benefícios, como socialização, descoberta de interesses e acesso a conteúdos educativos. Nesi defende que devemos agir com urgência e clareza: adiar o uso de smartphones quando possível, e ensinar aos filhos as “4 R’s”:
Responsabilidade, Regras, Riscos e Razões.

Crianças Pequenas: Evidências que Guiam

Mesmo com os pequenos, a ciência também tem voz. Nesi destaca alguns pontos fundamentais:

Tempo de Tela

Embora a AAP e a OMS recomendem até 1 hora por dia para crianças de 2 a 5 anos, Nesi lembra que não há um “número mágico”. O importante é garantir equilíbrio com outras atividades saudáveis: sono, alimentação, brincadeira e socialização. Assistir junto, a chamada co-visualização, enriquece a experiência e melhora o aprendizado.

Disciplina com Consistência

A disciplina deve ensinar, não punir. Usando princípios do condicionamento operante, pais devem recompensar bons comportamentos e ignorar (com segurança) os indesejados, mantendo sempre a coerência.

Sono

Rotinas consistentes, respostas previsíveis e métodos de “extinção gradual” ajudam crianças a aprenderem a dormir sozinhas. A chave, novamente, é a constância.

Relação entre Irmãos

Relacionamentos saudáveis entre irmãos dependem de empatia, diversão compartilhada e aprendizado sobre regulação emocional. Conflitos são normais — e oportunidades para crescer.

Cultivo da Gratidão

Três práticas se destacam:

  1. Inserir as crianças em contextos que favoreçam a gratidão (como ações solidárias).
  2. Conversar sobre situações em que foram ou poderiam ter sido gratas.
  3. Modelar a gratidão em atitudes e palavras.

Soluções Práticas para os Desafios do Dia a Dia

Nesi também ensina uma abordagem prática, inspirada na Terapia Comportamental Dialética (DBT), para lidar com problemas:

  1. Resolver o problema – Buscar a solução mais direta possível.
  2. Mudar como se sente sobre ele – Reformular pensamentos e reações.
  3. Aceitar radicalmente – Entender o que não pode ser mudado, sem culpa.
  4. Ou continuar infeliz – Uma escolha que, muitas vezes, piora tudo.

Para os pais que lidam com culpa, ansiedade ou exaustão, Nesi recorre à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ensinando como identificar pensamentos automáticos negativos e substituí-los por interpretações mais equilibradas.

Parentalidade Consciente: Uma Jornada de Aprendizado

No fim das contas, criar filhos não é sobre perfeição. É sobre fazer o melhor com o que sabemos, aprendendo continuamente e adaptando a ciência às realidades e personalidades únicas de cada criança.

A mensagem de Jacqueline Nesi é clara: com afeto, estrutura e informação confiável, é possível criar filhos emocionalmente saudáveis, resilientes e preparados para o futuro.

Se você gostou deste conteúdo e quer saber mais sobre parentalidade baseada em evidências, vale a pena acompanhar o trabalho de Jacqueline Nesi em sua newsletter Technosapiens.

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