A Sombra do Abandono
Desde muito cedo, Jeff aprendeu a conviver com um medo silencioso e persistente: o medo do abandono. Aos dez anos de idade, seus pais se separaram por um longo período de dois anos. O pai saiu de casa, e tudo o que Jeff conseguia compreender era o choro frequente de sua mãe e o vazio que se instalou em seu coração. Naquele tempo, sem explicações claras, o sentimento de ter sido deixado para trás passou a envolvê-lo como uma sombra.
Essa experiência marcou profundamente sua alma. A separação não foi apenas um evento familiar; tornou-se um inimigo invisível que tentou se estabelecer em sua mente e coração, ameaçando roubar sua paz e sua sensação de segurança. Jeff cresceu acreditando que precisava sempre se sair bem, sempre corresponder de forma positiva, sempre “dar certo”. Caso contrário, temia que o chão pudesse ser arrancado debaixo de seus pés a qualquer momento.
Mais tarde, já em sua caminhada de fé, essa sombra tentou se manifestar novamente. Quando Jeff falhava ou pecava — como todo ser humano — o inimigo de sua alma aproveitava a ocasião para lançar seu golpe mais cruel. O diabo, o tentador, sussurrava palavras corrosivas que soavam como verdade:
“Veja o que você fez! Você errou! Deus é santo demais para tolerar alguém como você. Ele se cansou de você. Ele terminou com você. Agora você está sozinho.”
O peso dessas acusações era quase insuportável. Contudo, ao olhar para trás, Jeff aprendeu uma lição decisiva: sentimentos intensos não definem a verdade. A verdade não é o que sentimos; a Verdade é o que Deus diz.
A Promessa Inabalável
Foi então que a Palavra de Deus se levantou contra o sussurro da mentira. O próprio Senhor havia falado de maneira clara, direta e definitiva contra o medo do abandono:
“…porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nunca jamais te abandonarei.” – (Hebreus 13:5)
Essa promessa é tão forte que, no texto original, Deus utiliza uma sequência enfática de negações, afirmando que jamais, em hipótese alguma, nos deixará ou nos abandonará. Ele não falha, não se retira, não nos entrega à própria sorte e nunca retira o Seu cuidado.
Além disso, Jesus assegurou que a presença de Deus em nós não seria temporária, mas eterna:
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade…” – (João 14:16–17)
O Espírito Santo habita em nós para sempre, não até o próximo erro, não até a próxima queda, mas eternamente.
Assim, sempre que o medo do fracasso tentava retornar, o caminho de volta à paz era claro e acessível. Se Jeff tivesse falhado, deveria confessar seu pecado e arrepender-se, trazendo a culpa para fora das sombras, permitindo que o sangue de Cristo o purificasse. A promessa permanecia firme. A fidelidade de Deus não estava condicionada ao desempenho humano.
Afinal, como afirma a Escritura:
“Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.”
(Filipenses 1:6)
Há, portanto, um motivo imenso e constante para louvar a Deus: Sua presença fiel, Sua graça paciente e Suas promessas incomparáveis. Ele nunca abandona o que ama, nunca desiste do que começou e nunca para de trabalhar em nós.
Que Salvador maravilhoso!
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