O Casamento e o Castelo de Areia
Era uma tarde de verão. O céu estava limpo, e o mar refletia os últimos raios de sol como um imenso espelho azul. Pela praia, crianças e adultos se reuniam em torno de castelos de areia extraordinários. Havia torres altas, pontes delicadas e pequenos muros cuidadosamente esculpidos.
Lucas parou para observar.
Uma menina, de não mais que oito anos, alisava as paredes de seu castelo com as mãos cheias de areia molhada. Seu pai, ajoelhado ao lado dela, ajudava a erguer uma torre que insistia em desmoronar. Os dois sorriam, completamente envolvidos naquela pequena obra de arte.
— Impressionante — disse Lucas em voz baixa.
Sua esposa, Sofia, sorriu.
— É lindo, não é?
Ele assentiu, mas seu olhar logo se desviou para o mar. As ondas estavam avançando lentamente. A maré subia de maneira quase imperceptível, porém inevitável.
Alguns minutos depois, uma onda mais forte alcançou a base de um dos castelos. Uma das torres inclinou-se e caiu. A menina arregalou os olhos.
— Não! — gritou ela, correndo para salvá-la.
Seu pai tentou reconstruí-la rapidamente, mas outra onda veio. Depois outra. Em poucos instantes, o castelo inteiro havia desaparecido, como se jamais tivesse existido.
A menina ficou em silêncio, olhando para o lugar vazio onde antes havia seu tesouro. Seus olhos se encheram de lágrimas.
Lucas sentiu um aperto no peito.
Por alguns segundos, não viu mais a criança. Viu a si mesmo.
Lembrou-se dos primeiros anos de casamento. Das promessas feitas, dos sonhos compartilhados e dos momentos em que acreditou que o amor, por si só, seria suficiente para sustentá-los. Também se lembrou das tempestades que enfrentaram: dificuldades financeiras, perdas, preocupações e as noites em que o cansaço transformava conversas em discussões.
Quantas vezes, pensou ele, haviam tentado construir o casamento apenas sobre emoções, expectativas e sentimentos passageiros?
Ele segurou a mão de Sofia.
— Está vendo aquilo? — perguntou, apontando para a areia molhada. — Em poucos minutos, todo aquele trabalho desapareceu.
Sofia acompanhou seu olhar.
— A vida é assim — respondeu ela suavemente. — O que parece forte pode ser muito frágil.
Lucas permaneceu em silêncio por um instante. Então, disse:
— Jesus falou exatamente sobre isso. Ele disse que aquele que ouve Suas palavras e as pratica é semelhante a um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Veio a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha.
Sofia apertou sua mão.
Ela sabia que as tempestades não eram apenas uma ilustração. Elas eram reais. Todo casamento, cedo ou tarde, é atingido por ventos fortes. Há dias de abundância e dias de escassez; dias de alegria e dias de lágrimas; momentos de plena sintonia e momentos em que o perdão precisa ser escolhido novamente.
Nenhum relacionamento está isento das tempestades.
A diferença está no alicerce.
Com os olhos fixos no mar, Sofia disse:
— Se Deus não estiver no centro, acabamos construindo castelos de areia. Bonitos por fora, mas frágeis por dentro.
Lucas concordou em silêncio.
Naquele instante, uma nova onda apagou os últimos vestígios do castelo da menina. Não restou nenhuma torre. Nenhum muro. Nada.
Mas, estranhamente, aquela destruição se tornou uma lição.
Ali, diante do oceano, Lucas e Sofia renovaram um compromisso que há muito precisavam reafirmar: não permitiriam que seu casamento fosse sustentado apenas por sentimentos passageiros, circunstâncias favoráveis ou expectativas humanas. Decidiram, mais uma vez, construir sua união sobre a Rocha que é Cristo.
Porque a beleza de um castelo de areia dura apenas até a próxima maré.
Mas um casamento edificado sobre Jesus permanece de pé quando as lágrimas chegam, quando as finanças apertam, quando a saúde falha, quando os sonhos parecem ruir e quando os ventos da vida sopram com toda a sua força.
Afinal, não é a ausência de tempestades que torna um casamento forte.
É a presença da Rocha que o sustenta.
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